Faço um acordo comigo mesma. Me obrigo, me pressiono, reflito,
me convenço. Faço juras e promessas sem nenhum deus. Sou só eu, sozinha, sem
intercessores, sem juízes, sem guardas. Prometo então que não cairei de novo na
mesma armadilha. Armadilha do meu pensamento, labirinto, túnel sem volta, não
entrarei.
Não, não, não.
E não.
Pensava já ter andado o bastante e aprendido todos os
atalhos. Mas quase dava o primeiro passo no caminho torto, já tão familiar.
Sorte é que alguém me segura pela mão.
Desta vez, não cairei na mesma armadilha. Se não
por opção, por teimosia. Ou orgulho. Afinal, já estou cansada de ouvir minha própria
voz me cobrando toda sorte de obrigações... Desta vez, só a leveza é permitida.
Hoje, enterro o passado.
Que lá fique, com seu peso, enquanto eu vou pra janela soprar bolhas de
sabão, e observar a beleza luz refratada, e lembrar do que me encantava nas aulas de Física e ouvir o álbum
do Pink Floyd e nunca mais esquecer que as possibilidades tendem ao infinito.

2 comentários:
que bonito, Polli
Muito obrigado pela visita!
Já estou acompanhando o seu tb.
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