- Então, o que eu quero é uma liberdade sem nome, sem contorno. Eu quero uma coisa que ainda não sei. E tem que ser assim, indefinida, porque quando tiver um nome, tiver um rótulo, talvez não seja mais liberdade. Não sei. Não quero ser livre para escolher entre lugares já dados. Quero a liberdade de criar, de atravessar, ir, voltar, sentir, afetar (me). É claro que eu fico pensando também se esta ideia de liberdade não é tola, e se não estou condicionada a pensar justamente assim. Mas creio que não. Porque não há como saber, ou melhor, eu não sei quem, ou o quê, no final das contas, constitui com mais força a subjetividade de cada um... Por isso é que eu penso que a resistência ao comum, ao já previsto, ao já vivido, penso que a resistência a isso está na ausência relativa de contornos. Antes, eu tinha bem definido o lugar onde queria chegar. Agora já não quero ter. Não quero sair deste processo adaptada ao mundo (não estou dizendo também que é isso o que acontece aqui). E porque continuo aqui? Para mudar aquilo que já foi contornado em mim. Contornos que já não me traduzem mais, que, aliás, sempre tiveram o sentido de amarras. Sem esta desconstrução eu não posso seguir. E quando eu apagar estes contornos iniciais, não sei o que vou desenhar (já estou desenhando) no lugar. Quero ver qual é a sensação de espalhar-se. Sim, eu considero que tudo isso pode ser apenas um desejo ingênuo, e que depende também de coisas que não controlo. Mesmo assim é válido. Sei que meu corpo está indo em alguma direção, e vai chegar a novos lugares que ainda não têm nome, nem uma descrição que os defina. Ir, e não descrever os lugares, é o objetivo agora. Penso resistir ao comum. Só espero que minha resistência não esteja já prevista... Por estes dias, ando meio sem saber de nada.
4 comentários:
Vim saber se está tudo bem. Tranquilizo-me. Tudo na mais perfeita desordem.
por falar em ir, quando é que tu vens me visitar?? te planeja pra ir pra Tangamandápio, pega o ônibus errado e vem parar, de susto, no Iberê! a exposição se chama "O Alfabeto Enfurecido", tu podes gostar! As palavras num desejo de não terem esses contornos de que falas foram se redesenhando e tomando formas (vazias!) no plano tridimensional.
e além do mais, to com saudade!
=]
Muito bom.As vezes tenho a impressao que todo munto é igual. varios amigos estao pensando exatamentes igual. todo o mundo está em conflito! "o universo é a harmonia entre os contrarios". Façamos, pois, o nosso universo particular.
bjus
é até dia 11!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
é o destino.
que desatino!
=D
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