sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Pedagógicas I

Minhas percepções a partir do meu estágio curricular em uma escola estadual por enquanto são mais sentimentais do que propriamente pedagógicas, se é que é possível separar isso. 

Em uma das turmas de 1º ano, um aluno me fala quando me apresento: “Bah sôra, legal esse teu chinelo, tenho um igual!” Não falou comigo no restante da aula, exceto alguns olhares para conferir se eu estava observando. Depois, a primeira tentativa de um contato mais direto: expliquei a outro aluno o que significa poder aquisitivo. Quase nada além de olhares rápidos e falas um tanto desajeitadas, mas que foram o suficiente para me deixar sorrindo à toa o resto do dia. 

Hoje, no ônibus, dois guris começaram a tocar e cantar nos últimos bancos: uma gaita-de-boca, um violão, acordes simples e uma letra que falava de política, em termos muito libertários e alternativos. Ao meu lado, em pé no corredor, um guri de uns 10 anos admirava os músicos improvisados com um olhar muito brilhante, não pela música, mas pelo inusitado da situação, o inesperado, algo estava onde não deveria estar. Decidi que quero fazer um currículo musical. 

A partir de todas as coisas que leio e observo, me sinto atravessada por uma vontade de inventar todas as coisas possíveis e impossíveis de se fazer numa escola para melhorá-la. Mas por mais que me prepare, me atormenta profundamente um medo enorme, que tento ora sufocar, ora enfrentar: é o medo de não estar à altura da minha própria crítica.


Um comentário:

Ana Stumpf Mitchell disse...

a maior dificuldade da auto-crítica é que ela insiste em amputar a espontaneidade. e aí como fica o brilho no olho do menino? substitui o cri-cri pelo polli-la-lá :)