De molho pela cirurgia refrativa, em alguns dias de olhos fechados e
visão turva percebi que a gente se acostuma a enxergar mal. E entendi que preciso
das pessoas, não importa o quanto eu goste de morar sozinha. Também vi que sou
mais consumista do que pensava e do que gostaria. E que essa coisa de ser adulta,
afinal, não é de todo ruim.
não
pense que não quero conversar. Se economizo nas palavras é porque falar com
você é como caminhar sobre uma fina superfície de vidro. É que, você sabe, já
caí nesse seu chão, sei como é.
Algumas pessoas têm efeito nocivo sobre mim, outras têm efeito
catártico.
Outras fazem alegria e riso, abraço, palavra forte que inspira e olhar
que fala na cumplicidade.
Já outras têm o efeito de uma saudade cheia de dúvidas, encanto de querer mais tempo junto, talvez abrir uma porta. Pensei que o tempo tinha me tornado
imune a elas. Engano!